10/28/2014

Immortal Guardian: vocalista Carlos Zema concede entrevista ao Programa Heavy Nation e explica o fim do Outworld



Programa recebeu Carlos Zema (ex-Heaven's Guardian, ex-Vougan, ex-Outworld), cantor brasileiro radicado nos EUA, que está no Brasil para divulgar sua nova banda, o Immortal Guardian
O cantor Carlos Zema ficou conhecido no Brasil por ter sido vocalista das bandas Heaven's Guardian e Vougan. Mas sua carreira ganhou fama mundial ao se mudar para os E.U.A. em 2007, onde imediatamente foi convidado a fazer parte da banda de prog. metal Outworld. "A banda durou mais ou menos um ano e meio", explica Zema. "Mas os caras (o guitarrista Rusty Cooley e o tecladista Bobby Williamson) já trabalhavam juntos há quase quinze anos e não se suportavam mais. Chegou um momento em que o ego foi mais forte do que sanidade e a banda acabou".
Immortal Guardian
Mas atualmente o cantor está em um novo projeto, o Immortal Guardian, que lançou recentemente o ep "Revolution Part 1", produzido por Roy Z (Bruce Dickinson, Rob Halford). "A banda já existia antes de eu entrar. Fui convidado em um momento onde eu já tinha desistido de fazer música".

O Immortal Guardian aos poucos vem ganhando fama no território americano, onde curiosamente o power metal não é um gênero muito popular. "É um estilo mais europeu, mas tenho percebido uma ascensão por lá, pois os americanos não são tão radicais", diz Zema. "Pra você ter ideia, nós abrimos para o Soilwork e foi um dos dias onde mais vendemos nosso merchandise".

Acesse o player abaixo para ouvir a entrevista na íntegra:

Conheça as ex-bandas de Carlos Zema
OUTWORLD
Foi uma banda de metal progressivo formada em Houston, no Texas, pelo guitarrista guitarrista Rusty Cooley e o tecladista Bobby Williamson.
Zema entrou na banda em 2007, logo após a gravação do debut autointitulado, que contou com os vocais de Kelly Sundown Carpenter (que logo depois se uniria ao Beyond Twilight).
Com o Outworld, Zema gravou a "Promo 2008" e o single "War Cry", que também contou com um videoclipe.
 
 
VOUGAN  
Formada em Brasilia, Zema gravou com esta banda o EP "Silent Souls" (2006) e o álbum "Mind Exceeding" (2007). 
     

HEAVEN'S GUARDIAN
Esta foi a primeira banda de Zema, formada em Goaiânia/GO. Com ela ganhou notoriedade na cena metálica do Brasil onde inclusive tocaram em uma das edições do saudoso festival Brasil Metal Union. A discografia consiste nos álbuns: "Roll of Thunder" (Demo 1997); "Strava" (2001); "D.O.L.L." (2004); e no dvd "X Years on the Road" (2007)


 

9/04/2014

Crystalic: a persistência do death metal finlandês

Por Julio Feriato

Arto Tissari (Baixo), Felipe Muñoz (Teclado), Janne Noponen (Bateria), 
Marko Eskola (Vocal), Toni Tieaho (Guitarra)

Click here for english version!
O Crystalic é uma banda finlandesa de death metal melódico, mas que se difere de outras bandas do gênero de seu país, pois possuem um estilo altamente influenciado pelo Death, só que ainda mais focado nas melodias de guitarra e flerta de leve com música atmosférica nos detalhes.
O primeiro álbum de estúdio veio em 2007, o ótimo "Watch Us Deteriorate", que destacou-se por sua levada mais cadenciada e cheio de melodias; e em 2010, veio "Persistence", com musicalidade mais técnica e revigorada, e que foi lançado somente em formato digital devido ao fato de nenhum selo ter se interessado no material. Este trabalho rendeu boas críticas na imprensa especializada e algumas pequenas turnês pela Europa, principalmente na Rússia, onde conseguiram um público fiel. 

Para a tristeza de muitos fãs, inclusive para este que vos escreve, o grupo chegou anunciar seu fim em 2011, mas felizmente retornou um ano depois com nova formação, sendo o guitarrista Toni Tieaho o único remanescente da formação original. Foi com ele que realizei essa entrevista exclusiva. Ei-lo. 

O Crystalic anunciou seu fim logo após o lançamento virtual do álbum “Persistence”, em 2010. O que realmente aconteceu naquela época?
Toni Tieaho: A química na banda não era mais a mesma. Tínhamos diferentes visões sobre como nossa música deveria soar e não tivemos uma boa "vibe" sobre o que estávamos fazendo. Tudo começou a ficar forçado e as gravações de "Persistence" foram uma luta. Levamos pelo menos três anos preparando este álbum. Mas, embora o resultado tenha sido ótimo, eu senti que era hora de descansar um pouco.

A banda também sofreu uma trágica alteração em seu line-up e parece que você é o único remanescente da formação original. Como você lidou com essas mudanças?
Tieaho: Sim, tivemos muitas mudanças no line-up, e elas nunca foram boas para nós. É realmente difícil encontrar músicos que se dedicam e queiram tocar o mesmo tipo de música. Então, toda vez que alguém sai ou quando alguma coisa não está funcionando com alguém, nós temos que começar tudo de novo; e lógico que isso desacelera toda a ação banda para shows ou gravar discos. Mas, aos poucos, nós lidamos com essas coisas e encontramos novos membros.

Posso entender que “Persistence” foi um titulo sugestivo por causa das dificuldades que a banda passava na época em que ele foi gravado?
Tieaho:  Sim, você tem esse direito. Mas o titulo não sugere somente as dificuldades da banda na época, mas também dificuldades na vida em geral. E principalmente é sugestivo para não desistir de tudo o que você está fazendo.


Vocês soltaram no YouTube um vídeo da música “Scion” e dá pra perceber algumas mudanças sonoras, como a inclusão de teclados, e arrisco dizer que a música tem até uma pegada mais atmosférica. Qual era a ideia na hora de compor essa canção e o que ela representa atualmente para o Crystalic? 
Tieaho: "Scion" foi nosso retorno com a nova formação após "Persistence". Ela apresentou alguns novos elementos como vocais limpos e sintetizadores atmosféricos. Então, a ideia era obter uma nova musicalidade, mas mantendo nosso estilo, que ainda soa como puro Crystalic.



De qualquer maneira parece que agora a banda encontra-se em um novo estágio, tanto pelos novos membros, mas também musicalmente. Você concorda?
Tieaho: Sim, é sempre aquela sensação de frescor quando um novo membro entra na banda, pois afeta como nossa música irá soar. E também é um novo elemento para o Crystalic, faz com que nossa música se torne mais versátil e progredirmos como banda. Estou muito satisfeito com a nova formação.

Percebo muitas influências de bandas como King Diamond e Death na música do Crystalic. Acertei ou falei besteira? Aliás, quais suas inspirações na hora de compor?
Tieaho: Você pode perfeitamente ouvir as influências do Death, mas é a primeira vez que me falam sobre sermos influenciados por King Diamond! Mas, pensando bem, isso deve ter a ver com os solos de guitarra. Andy LaRocque é um guitarrista maravilhoso e fez um trabalho matador no álbum "Individual Thought Patterns", do Death. Minha inspiração é, claro, Chuck Schuldiner e o Death. Mas também gosto de ouvir  músicas mais tranquilas para ter um bom contraste e inspiração para melodias de guitarra e para a atmosfera. Tony MacAlpine é também um dos meus guitarristas favoritos e ele tem melodias de guitarra realmente únicas e estilosas. 

A Finlândia é mundialmente conhecida como um grande celeiro de bandas de heavy metal. Já que você está praticamente inserido nesta cena, o que pode nos falar sobre ela?
Tieaho: Ultimamente não tenho acompanhado a cena finlandesa, mas eu sei que temos muitas bandas boas que saem daqui o tempo todo. Acho que estou velho demais para responder esta pergunta (risos). Muitas bandas de metal, muitos metalheads, frio e escuridão... É isso.  [Nota: interessante notar como o relapso em acompanhar a própria cena metálica não é uma característica somente dos brasileiros...] 

Quais os planos futuros da banda? Já tem previsão para o lançamento de um novo álbum?
Tieaho:  Estamos trabalhando nas músicas do nosso terceiro álbum e temos quase todo o material pronto. Não sei dizer ao certo o mês ou dia exato, mas acho que vai ser em meados de 2015. E acabamos de lançar uma música nova, "Lila Ruined", como um aperitivo do que está por vir.


Contato:
https://www.facebook.com/CrystalicBandOfficial
http://www.youtube.com/user/crystalicmetal
http://www.myspace.com/crystalicband

Apoio:

https://www.facebook.com/METALMXMVS?fref=ts

8/29/2014

JackDevil - "Unholy Sacrifice" (2014)

(Urubuz Records)
Por Julio Feriato

Formada em 2010 na cidade de São Luis/MA, a JackDevil é uma banda que ganhou bastante notoriedade em muito pouco tempo com apenas um cd-demo e um ep. Por conta disso causou a revolta dos "haters" de plantão, aquela galerinha que adora defender o "true" metal underground. Tudo bem que essa atitude de colegial cansa um bocado, mas não podemos negar que também ajudou a divulgar ainda mais o nome da banda nas redes sociais.

Mas alheio a todas as criticas negativas, o quarteto entrou em estúdio no final de 2013 para finalmente registrar seu primeiro álbum completo, sendo conferido em março deste ano, quando lançaram "Unholy Sacrifice", via Urubuz Records. E o resultado não poderia ter sido mais satisfatório. Já nas primeiras semanas de lançamento, "Unholy Sacrifice" esteve entre os cds mais vendidos da loja Die Hard, na Galeria do Rock, e as criticas da imprensa especializada em sua maioria foram bem favoráveis.
Renato SpeedWolf (B), Andre Nadler (V/G), Filipe Stress (BT), Ric Mukura (G)
A temática de "Unholy Sacrifice" é bastante pretensiosa para um álbum de estreia, pois se baseia nos contos de terror do escritor americano Stephen King, onde as letras no encarte são acompanhadas com uma HQ, tornando tudo muito mais atrativo para quem curte comprar cds originais. Mas nada disso adiantaria se musicalmente o JackDevil fosse uma banda ruim. Não é o caso. Mas se você é daqueles que sempre esperam pela banda que irá reinventar a roda do heavy metal, passe longe deste álbum, pois será decepção na certa.

O som não é muito diferente do que foi apresentado no ep "Faster Than Evil, de 2013, ou seja, thrash/speed metal calcado nos anos oitenta, onde nota-se nítidas influências de bandas da "New Wave of British Heavy Metal" com aquela pegada "rock veloz" bem ao estilo Motorhead; mas que também abre espaço para algo mais anos setenta como na faixa "Behind the Walls", que lembra alguma coisa do Black Sabbath, e que no decorrer evolui para um belo dueto de guitarras.

Em suma, "Unholy Sacrifice" irá agradar aos não exigentes com o termo "originalidade", afinal de contas, na indústria do heavy metal pipocam bandas que não são inovadoras e nem por isso deixam de ser legais e ter sucesso (vide exemplos do Hammerfall, Lazarus AD, Enforcer, etc). O único "porém" fica por conta da qualidade de gravação, que não possui tantas diferenças se comparada a do ep. Por tratar-se de um álbum de estreia, seria normal ocorrer uma evolução neste quesito, o que não aconteceu. De qualquer maneira, este é um detalhe que pode ser corrigido nos próximos trabalhos e que não tira o brilho da obra.

Nota: 8

 



8/28/2014

Woslom realiza pocket show no lançamento de seu primeiro dvd

Rafael Iak (G), Silvano Aguilera (V/G), Andre Mellado (B) e Fernando Oster (BT)
Por Julio Feriato

O Woslom cresceu consideravelmente na cena brazuca desde o lançamento do debut "Time to Rise", em 2010, que rendeu boas criticas na imprensa especializada e alguns shows pela Europa. Porém, foi com seu segundo trabalho, o excelente "Evolustruction", de 2013, que o quarteto paulista realmente começou a ter maior reconhecimento por parte do público.

Mas nada é por acaso. Ao contrário de boa parte de nossas bandas que insistem somente em choramingar e reclamar do mercado e falta de apoio, o Woslom é uma das poucas que mantém uma postura de sempre estar na ativa independente da situação de nossa cena; seja lançando videoclipes ou singles picados - como foi o caso do "Brazilian Underground Union Project", em 2012, que consistiu na regravação de músicas de algumas  bandas brasileiras - e também por causa da ótima qualidade de suas apresentações ao vivo, seja aqui no Brasil ou nas turnês europeias que foram realizadas pelo grupo.

Dewwytto Dedivitis com os membros do Woslom
E para comemorar toda essa trajetória e a excelente aceitação de "Evolustruction", a banda realizou um pocket show nesta última quarta-feira (27) no Estúdio Espaço Som, em São Paulo, onde também foi lançado seu primeiro dvd, intitulado "DestrucTVision", e que serviu como aquecimento para uma nova turnê europeia no próximo mês de setembro, que irá passar pela Itália, Alemanha, Polônia, Belgica, Holanda, Rússia e República Tcheca. 

A festa contou com a presença de fãs, amigos, representantes de veículos de imprensa, e também com a participação especial de Dewwytto Dedivitis, do Planno D, como mestre de cerimônias, que explicou um pouco do conceito de "DestrucTVision" antes da exibição do novo videoclipe que o Woslom gravou para a música "Purgatory".


Aliás, esse videoclipe contou com uma bela produção que intercala imagens da banda e do filme de horror experimental "Begotten", do diretor americano E. Elias Merhige. 

O pocket show começou em seguida, e como sempre, a banda fez uma apresentação impecável e destruidora. Foi difícil ficar parado ao executarem sapatadas como "Time to Rise", "Haunted by the Past" (umas das melhores músicas de "Evolustruction"), e das excelentes versões para "The Famous Unknown", do Ancesttral, "Breakdown", do Mad Dragzter, e da inusitada "Egypt", do Mercyful Fate, que ganhou uma roupagem totalmente thrash metal. Segundo o guitarrista Rafael Iak, a ideia de tocar esta música partiu do vocalista/guitarrista Silvano Aguilera, que é fã assumido do grupo dinamarquês. A festa continuou com a já clássica "Breathless",  e fechou em alto estilo com "Purgatory".


Além da banda, outra atração da noite foi a jibóia usada no videoclipe de "Evolustruction", onde muitos fizeram fila para poder tirar uma foto com o réptil, e também com um caricaturista que ficou bastante ocupado fazendo caricaturas dos convidados.


Se a maioria das bandas brasileiras de metal tivessem o profissionalismo e perseverança que o Woslom demonstra ter, talvez teríamos uma cena metálica muito mais organizada, forte e unida. E não é difícil, basta parar de reclamar e correr atrás do seu.

Foto: Edu Lawless

8/27/2014

Semblant - "Lunar Manifesto" (2014)

(Shinigami Records)
Por Julio Feriato 
 
É correto afirmar que desde seu surgimento nos anos noventa com bandas como Paradise Lost, The Gathering, Theatre of Tragedy, Tristania, e outras mais obscuras, o gothic/doom metal sofreu inúmeras alterações com o passar dos anos e hoje em dia é bem diferente do que já foi na sua forma original.

E porque todo esse discurso sobre esse tipo de música? Simplesmente porque o Semblant sempre foi taxado como uma banda de gothic metal desde sua estreia com o ótimo debut "Last Night of Mortality". Mas com a entrada da vocalista Mizuho Lin, o grupo explorou novas fronteiras e incluiu elementos de death e black metal em suas composições sem esquecer da essência primordial, que é fazer música obscura e pesada, mas ao mesmo tempo atmosférica e melódica.

Sol Perez (guitarra), Juliano Ribeiro (guitarra), Sergio Mazul (vocal)
Mizuho Lin (vocal), J. Augusto (teclado), João Vitor (baixo)
Thor Sikora (bateria)
E se foi com essa mentalidade que a banda gravou "Lunar Manifesto", então podemos afirmar que a tarefa foi cumprida com muitos louvores; pois além da bela produção a cargo de Adair Daufembach, que timbrou os instrumentos de uma forma bem homogênea, afirmar que o Semblant é uma banda de gothic metal seria limitar sua música a um patamar muito abaixo do que é apresentado neste trabalho.

Um grande exemplo dessa musicalidade mais abrangente é a poderosa "Incinerate", faixa de abertura, uma das mais rápidas do disco e que possui algo do Cradle of Filth nas linhas mais melódicas. Destaque para o refrão grudento interpretado por Mizuho Lin e o belo solo de teclado bem "purplediano" no meio da música.

Outras que merecem destaque são "What Lies Ahead", onde o vocal cavernoso de Sergio Mazul entra em perfeito contraste com a bela voz de Lin, e que, novamente, se destaca pela bela interpretação e no refrão grudento. Aliás, refrães que ficam na cabeça é uma das características marcantes de "Lunar Manifesto". Basta ouvir músicas como "The Shrine", primeiro single do álbum; "Mists Over the Future", que possui um belo trampo de guitarras; "The Hand That Bleeds", uma das melhores performances de Mizuho Lin e que merece um videoclipe por causa de seu apelo mais comercial; e a pesadona "Ode To Rejection", onde desta vez o destaque fica para Sergio Mazul, que mostra toda sua versatilidade vocal (o cara consegue ir dos tons mais graves e carvernosos aos mais agudos e rasgados sem trauma algum).

Mas notem que destacar essas músicas não significa que as demais são menos importantes. No geral o álbum inteiro é muito bom e confesso que poucas obras atuais conseguiram fazer com que eu as ouvisse sem pular nenhuma faixa! Em suma, vá atrás, compre este cd e não se resuma em apenas baixar na Internet, pois trata-se de um trabalho que deve ser degustado em cada mínimo detalhe.

Julio Feriato
Nota: 10

8/26/2014

Furia Inc. - "Murder Nature" (2014)

(Independente)
Por Julio Feriato

O Furia Inc. não possui tanto tempo de estrada, mas ganharam certo prestigio na cena paulista após o lançamento do ep "Before the World Ends" (2011), e devido a ótima qualidade de suas apresentações ao vivo abrindo para bandas como Korzus e Poisonblack. 

Mas com o lançamento de "Murder Nature", seu primeiro álbum completo de estúdio, o quarteto formado por Neto Romão (bateria), Gustavo Romão (guitarra), Bruno Nicolozzi (baixo) e Victor Cutrale (vocal) parece finalmente ter encontrado sua própria identidade em composições onde prevalecem riffs complexos e refrães grudentos, mas muito bem encaixados. Resumindo: "Murder Nature" mostra uma evolução absurda se comparado aos trabalhos anteriores.
Victor Cutrale (vocal), Bruno Nicolozzi (baixo), Gustavo Romão (guitarra), Neto Romão (bateria)
Musicalmente eles encaixam no que a galera costuma rotular como groove/thrash metal, e as referências são percebidas conforme você se aprofunda cada vez mais na proposta do grupo. Pegue por exemplo a faixa "Pichblack Downfall", onde você detecta alguns lances metalcore como Kilswitch Engage e Shadows Falls, ou a matadora "The Cage", que possui um dos refrães mais legais já feitos por uma banda do gênero. Outros destaques ficam para "Hopeless", que flerta com o metal alternativo, "Savage", com seu andamento mais cadenciado, e a rápida "Crash", com sua rifferama torta e ótimo trampo do vocalista Victor Cutrale. Aliás, Cutrale já pode ser considerado como um dos melhores vocalistas do thrash nacional, devido sua versatilidade e alcance nos "berros" mais altos.

É importante citar a excelente produção a cargo da dupla  Brendam Duffey e Adriano Daga, que provam o porquê de serem atualmente os produtores mais requisitados entre a maioria das bandas de heavy metal do país; e as participações de Antonio Araújo, guitarrista do Korzus, na faixa "Dominion", e de Felipe Andreoli (Angra) que gravou o baixo em todas as músicas. 

"Murder Nature" ainda não foi lançado em formato físico, mas você pode escuta-lo na íntegra pelo link abaixo.
Julio Feriato
Nota: 9

Ouça "Murder Nature" 



Contatos: www.furiainc.com.br 

8/23/2014

Heavy Nation traz especial com músicos suicídas

Por Julio Feriato 

Pegando o gancho dos recentes suicídios do ator americano Robin Williams, e do comediante brasileiro Fausto do "Hermes e Renato", resolvemos fazer uma edição especial para prestar uma homenagem à alguns músicos do metal que também optaram por esse triste caminho. Foram ao todo dez bandas e você pode ouvir a edição ao acessar o site da Rádio UOL

Confira abaixo quem foram esses músicos que destacamos e também algumas curiosidades sobre eles.

William Tucker (1961 - 1999) tornou-se mais mais conhecido após excursionar com o Ministry na turnê do lp "The Mind Is a Terrible Thing to Taste", em 1989. Mas ele também já contribuiu com bandas como My Life With the Thrill Kill Kult, Pigface, Chemlab, e ganhou muito respeito pela critica como guitarrista dos álbuns solo de Chris Connelly. 

As circunstâncias de sua morte nunca foram bem esclarecidas, mas acredita-se que ele tenha tirado sua própria vida involuntariamente ao tomar um coquetel de pílulas para aliviar dores que sentia por causa de uma doença terminal. Ele morreu aos 38 anos de idade.

Ingo Schwichtenberg (1965 - 1995), também conhecido entre os mais íntimos como "The Smile", foi baterista e um dos fundadores do Helloween, sendo também o autor da ideia do mascote The Pumpkin (a abóbora) usado pela banda até hoje.


Após a gravação do álbum "Chameleon" (1993), Ingo começou a ter problemas de esquizofrenia e de depressão, desencadeados pela ingestão abusiva de bebidas alcoólicas e drogas, o que, segundo a banda, foi o fator responsável pelo seu suicídio.


Após deixar o grupo e ser substituído por Uli Kusch, abandonou também a medicação psiquiátrica. O seu estado de saúde agravou-se após morte repentina do seu pai, o que fez com que mergulhasse na sua tristeza e que as crises esquizofrênicas tornassem-se mais frequentes. Em Março de 1995, com 29 anos, pôs fim à própria vida atirando-se para debaixo das carruagens do metrô, na estação de Friedrichsberg, em Hamburgo. 



Jon Nödtveidt (1975 - 2006) foi guitarrista e vocalista da banda de black metal sueca Dissection, que foi fundada em 1989, e com ela gravou álbuns aclamados como "The Somberlain" (1993), "The Storm of the Light's Bane" (1995) e "Reinkaos" (2006). Em 1997, foi sentenciado a oito anos de prisão por ajudar a matar um homossexual argelino de 38 anos em Gotemburgo. Ele foi solto no outono de 2004.
 
Jon cometeu suicídio com um tiro na cabeça em agosto de 2006, quando ainda colhia os louvores com o álbum "Reinkaos". A polícia sueca achou o corpo em seu apartamento dia 16 de agosto ao lado de uma cópia do Liber Azerate. Segundo uma carta deixada por ele, o motivo do suicídio seria porque sentiu que tinha feito tudo o que pôde e isso era significativo para sua vida. De acordo com algumas pessoas que o conheciam, ele provavelmente planejou isso desde quando saiu da prisão. 


Tom Sedotschenko (1970 - 1999) foi vocalista da banda alemã de gothic metal EverEve nos álbuns "Seasons" (1996) e "Stormbirds" (1998). 

Infelizmente não há muitas informações sobre as circunstâncias de sua morte. Mas sabe-se que ele entrou em depressão profunda após ser demitido do EverEve devido a desavenças com alguns membros. Com seu desligamento, Tom foi substituído por Ben Richter, e com este o EverEve gravou o álbum "Regret". Nesse ínterim,  enquanto a banda ainda ensaiava para entrar em estúdio com o novo integrante, Tom deu cabo de sua própria vida, aos 28 anos. "Regret" foi lançado em setembro de 1999 e é considerado um dos melhores trabalhos da banda. 


Selim Lemouchi (1980 - 2014) era guitarrista e principal compositor da banda holandesa de heavy rock The Devil's Blood

Satanista assumido, formou o The Devil's Blood com sua irmã, a vocalista Farida Lemouchi, em 2006, e o primeiro álbum de estúdio foi lançado em setembro de 2009, intitulado "The Time of No Time Evermore".

A banda obteve uma ótima aceitação na Europa e lançou em 2011 "The Thousandfold Epicentre", que garantiu uma turnê ao lado do Behemoth pelos EUA. Infelizmente, mesmo com a boa repercussão que os álbuns estavam tendo, em janeiro de 2013 a banda anunciou seu fim pela sua página oficial no Facebook. Por motivos desconhecidos, Selim cometeu suicídio em março de 2014, aos 33 anos.



Twan Fleuren (1971 - 2011) foi baixista da banda holandesa Legion of the Damned. 

Twan juntou-se ao grupo em 1998 quando ainda se chamavam Occult. Mas em 2006, após seu filho recém-nascido ser hospitalizado, decidiu se desligar da banda alegando querer dedicar-se mais a família. Ele se matou em maio de 2011.


O baterista Erik Fleuren comentou o acontecido: “Sabíamos que o Twan tinha enfrentado tempos muito difíceis, mas certamente não esperávamos isso. Ele estava prestes a juntar-se a nós para alguns festivais e estávamos ansiosos por isso”. 



Kenny Hillary foi baixista do Quiet Riot no inicio dos anos noventa; mais precisamente entre 1991 e 1994, tendo gravado com a banda o álbum "Terrified", em 1993.

Infelizmente não encontrei NENHUMA informação sobre o músico, somente que ele cometeu suicídio em 1996. 


Se você tiver maiores informações sobre Kenny, peço que mande e-mail para heavynation@uol.com.br!



Marcel Jacob (1964 - 2009) foi baixista do Talisman, banda sueca de hard rock capitaneada pelo cantor Jeff Scott Soto. 

Antes do Talisman, Jacob ficou conhecido por ter formado junto com o guitarrista Yngwie Malmsteen o Rising Force, e, anos mais tarde, ele também faria parte de uma das primeiras formações do Europe, quando ainda se chamavam Force.

Em 1989 juntou forças com Jeff Scott Soto formando o Talisman. Com essa banda ele permaneceu até ser encontrado morto em sua casa na cidade de Estocolmo, Suécia, em julho de 2009. Ele tinha 45 anos de idade.

Zema Paes foi o baterista que gravou o álbum "Sonho Maníaco", da banda paulistana Korzus, em 1987. Ele se matou em sua casa naquele mesmo ano.

Algumas histórias sobre a casa do baterista ser mal assombrada surgiram após sua morte. O baixista Dick Siebert, que também morou na residência, relatou que escutava a bateria de Zema tocando sozinha durante a noite... 


Em entrevista ao Heavy Nation, o vocalista Marcello Pompeu revelou que a negatividade das letras de "Sonho Maníaco" poderiam ter influenciado o músico a cometer tal ato – existe uma faixa intitulada "Suicídio". Por causa disso, foi decidido pelos membros que eles nunca mais tocariam faixas desse álbum em seus shows. 



Não se engane pelo bonito sorriso do carinha aí ao lado. Per Yngve Ohlin (1969 - 1991), mais conhecido como "Dead", foi vocalista da banda black metal Mayhem, e não batia muito bem da cabeça.

Dead era fanático por coisas mórbidas e dizia não pertencer a este mundo. Nos shows com o Mayhem, ele sempre carregava uma bolsa com um corvo morto e se cortava com cacos de vidro. "Eu gosto de sentir a essência da morte", dizia. Outra loucura do rapaz era sua mania de enterrar suas roupas para vesti-las depois.


Há quem diga que um dos motivos de sua excentricidade foi o fato de ter sofrido bullying quando criança. Em uma entrevista, seu irmão contou que aos 10 anos de idade, Dead chegou a ser dado como morto no hospital após sofrer sérias agressões na escola, e que ele teria ficado encantado com a morte após essa experiência.


Seu suicídio foi provocado por um tiro de espingarda na cabeça. Antes de se matar, ainda deixou um bilhete escrito "perdoe-me pelo sangue". O corpo foi encontrado por Euronymous (que anos mais tarde seria assassinado por Varg Vikernes, do Burzum), baixista do Mayhem, que ao invés de chamar a policia, tirou fotos do cadáver e usou uma delas como capa do cd ao vivo "The Dawn of the Black Hearts", de 1990.


Apoio:

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